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junho 29, 2005
Photógrafos - Mercado Medieval de Óbidos
Um excelente retrato de Miguel Costa fixou em 2003 um tanoeiro no II Mercado Medieval de Óbidos. A ver também as Lomografias de Cláudia Costa, feitas o ano passado, a foto do João do Artencena na Retorta, um belíssimo sépia de Pedro Libório, a foto de um desfile de abertura da Luana Bernardo, e as "reportagens" da Formiguinha Atómica ou da Ilha das Maçãs
Publicado por Vivarte às 04:58 PM
Maior adesão de sempre na 4ª Feira Medieval de Belver
Artigo do Jornal Primeira Linha
A Feira Medieval espalhou-se pela vila durante três dias. De 17 a 19 de Junho, centenas de pessoas passaram pelo maior evento popular de Belver, no concelho de Gavião. A Companhia de Teatro Viv´Arte fez com que público de todas as escolaridades vivesse o século XIV com as suas recriações históricas. Serpentes, cavalos e mochos, bôbos e odaliscas, mercadores e artesãos deram vida aos largos de Belver.
A 4ª edição da Feira Medieval de Belver realizou-se de 17 a 19 de Junho. O maior certame popular da vila foi organizado pelo município de Gavião e teve a maior adesão de sempre. Dos três dias de festa que envolveram três largos de Belver (Luís de Camões, Pelourinho e 5 de Outubro) e o Miradouro do Outeirinho contabilizaram-se centenas de visitantes.
Pela feira, que começou com espectáculo para as cerca de 300 crianças do concelho (o “Extra-Medieval”), em que as cobras também fizeram parte do jogo, passou pela vila o Flagelo da Peste, o Torneio Medieval a Cavalo realizado pelo Esquadrão da Cavalaria da G.N.R., no campo de futebol, a recriação militar pelo grupo Espada Lusitana, os Torneios Apeados e Escaramuças, do Centro Storico Finale Ligure, a Revolta popular e a Ceia das Tavernas.
O certame foi entregue pelo quarta vez consecutiva ao Viv`Arte, uma companhia de teatro de Oliveira do Bairro, que se dedica a fazer recriações históricas, como feiras medievais e quinhentistas desde 2001.
O balanço que o director da companhia faz desta 4ª Feira Medieval de Belver em relação à afluência é bastante positivo. No primeiro ano que estiveram em Belver, a feira era muito reduzida e o executivo municipal até pediu à companhia para se deslocar caracterizada a ambientes nocturnos em Gavião. Hoje, a autarquia já não requere isso aos saltimbancos, dado que em relação à proporção da vila os visitantes são bastantes. O mesmo refere Jorge Martins, o edil gavionense distingue um claro aumento de público nesta edição. O autarca classifica a feira como um factor importante de divulgação e afirmação das potencialidades económicas de Belver. Porém, Jorge Martins gostaria que o espaço para estacionamento tivesse dado a resposta necessária aos visitantes e o castelo, que está em obras, tivesse disponível para o evento.
Na recriação histórica de Belver participaram cerca de 28 actores, técnicos, músicos e artistas de circo da companhia e cerca de 20 artesãos que fizeram a vila voltar ao século XIV. Para João Cardoso, produtor da Companhia de Teatro Viv´Arte e licenciado em História, o segredo deste tipo de feiras é não fazer o mesmo todos os dias e nas cerca de 30 feiras medievais que o grupo de saltimbancos faz por ano, a feira de Belver é a que faz com mais amor e carinho, dado ao relacionamento que ao longo destes quatro anos criou não só com a autarquia, assim como também com o povo: “quando chegamos para montar a feira já temos pessoas aqui à nossa espera. Temos amigos!”, salienta o consultor científico da companhia.
Quando questionado sobre as inspirações que dão origem aos espectáculos, refere que a instituição teatral tem a vantagem de ter três membros licenciados em História e assim a companhia vai beber, os episódios que recria, a uma base científica. O que permite que uma festa da História, como a manhã de sexta-feira, ensine mais sobre os antepassados às crianças que dois anos de aulas: “É ensinar História de uma forma lúdica”, distingue o professor.
Com as feiras medievais, Viv´Arte procura atingir o público em geral, já que reconhece que tem desde as camadas mais altas de escolaridade às mais baixas, sendo uma das estratégias para os seus grandes objectivos: ensinar História, dinamizar os espaço patrimonial português e levar o teatro às pessoas, que provavelmente nunca iriam ao teatro.
Na recriação da revolta popular, os saltimbancos utilizam canhões e algum material pirotécnico, o que cria um certo receio no público. Contudo, a companhia tem dois técnicos, que se certificam da segurança, trabalha com uma empresa pirotécnica e modifica os canhões interiormente. Mas, João Cardoso reconhece que num espaço tão reduzido como o de Belver pode haver riscos, porque o público pode tomar atitudes imprevisíveis.
Viv´Arte, que surgiu em 1989 como um grupo de teatro de escola, actualmente leva a sua escola de improviso a todo o País, iniciou a sua temporada em Almodóvar, Elvas, Montemor-o-Novo e Lamego, e também, a alguns países da Europa, como Itália e França. Mas, no final da festa de Belver partiu para Trancoso, onde este fim-de-semana irá levar a História de Portugal em mais uma feira medieval.
Vera Vicente
Publicado por Vivarte às 04:23 PM
IV Mercado Medieval de Óbidos - Programa
Dia 14 – Quinta-feira – 19h00 / 24h00
Ao Castelo chegam os Artífices
Vêm de todas as partes. O mestre marceneiro e das carpintarias, veio do norte, das terras de Compostela calculando como vai erguer o trabuquete (a mais temida arma destes tempos), vem com a joalheira, e o filho Alejo que já sabe como nestes dias irá brincar com Guilherme, vindo com a sua mãe que com as mãos tece cotas de malha como se de catedrais se tratasse, a catedral em construção que um canteiro procura, e por enquanto aqui nos mostra a sua arte. As velas de cera d’abelhas chegarão de mais longe, da Germânia, a Cirieira sabe o segredo da luz, outros trazem ervas frescas de Sintra, ervas curadoras, mudando os ares com o seu perfume; também a lã será pano, Estela a tecedeira carrega as cousas que fazem do novelo as roupas de lã. Alguns chegarão porque sabem as letras e como desenhá-las, outros por mexerem no barro, ou nas das peles curtidas dos animais. O ferro será esforçado no fole de um navarro, alfageme e sonhador de artilharias e da pólvora que chega d’Oriente das terras de onde veio Hagira, que nunca foi escrava e nos liberta dançando nas sedas que pinta. E outros, muitos outros, que levantarão hoje as suas tendas por entre as tabernas que as gentes d’Óbidos irão levantar. De comer e esperar por mais.
E na Vila se preparam os mercadores de todas as cousas, separados os mouriscos, adivinhos e toda a sorte de gentes mais bizarras. Da praça de Santa Maria se espalharão, convidando a todos que pelas ruas da Vila se percam até a sua arte encontrarem. A Vila de Óbidos será nestes dias um mercado doutros tempos.
Dia 15 – Sexta-feira – 18h00 / 24h00
As Bruxas
Pela noite chegarão. E com elas os medos. As bruxas juntam-se no meio da Vila onde sobram crenças e adivinhações. Nesta noite elas serão as senhoras da terra.
Dia 16 – Sábado – 12h00 / 24h00
A Conquista do Castelo
Um tempo também de guerra. De quem é este Castelo? Onde será Portugal? É necessário o recrutamento de todas as gentes para a guerra. O Castelo será conquistado.
Dia 17 – Domingo – 12h00 / 24h00
As Crianças
Era tempo de mui poucas chegarem a grandes. A fome e a doença só deixava a algumas a sorte de crescerem. Mas já tinham os seus jogos e brinquedos. O dia é todo para elas.
Dia 18 – Segunda-feira – 18h00 / 24h00
A Música
Festa de música medieval. Todos os músicos e músicas numa noite: de França In Taverna e Aux Couleurs du Moyen Age, os portugueses Strella do Dia, Ai Deus e u e, VádeFolia, Galandum Galundaina...
Dia 19 – Terça-feira - 18h00 / 24h00
O Teatro e a Dança
Trupes de saltimbancos invadem o mercado. Por umas moedas fazem teatros e dançam fazendo a todos bailar.
Dia 20 – Quarta-feira – 18h00 / 24h00
A Fome e a Peste
O sol secou as terras. Não se colhe o pão. A fome ameaça e à fome que enfraquece os corpos, segue-se a sua irmã peste. As vítimas terão de ser isoladas. Físicos com suas máscaras, piras de cadáveres levadas por homens sabedores de também irem morrer. O ar pestilento pelo fogo será tirado do impuro. É a noite da Dança da Morte.
Dia 21 – Quinta-feira – 18h00 / 24h00
Revoltas Populares
Novas regras decide o Senhor que toma posse destas terras da Rainha. Regras que serão a gota de água. Os impostos estão prestes a subir e a fonte da revolta num momento se levanta. O Senhor que se cuide!
Dia 22 – Sexta-feira – 18h00 / 24h00
O Regresso do Poder
A repressão da revolta popular está no ar. Uma força de cavaleiros retoma a posse da Vila para a Rainha. Demonstram perante o Povo a sua destreza praticando com suas armas.
Dia 23 – Sábado – 12h00 / 24h00
A Mulher
A Casa da Rainha chega para passar uma temporada nestas terras perto do mar e de águas boas. Com ela vem sua corte de Damas e acompanhantes. Óbidos, terra de mulheres.
Dia 24 – Domingo – 12h00 / 24h00
A Partida
O mercado vai acabar. Partirão artesãos e mercadores, actores e jograis, encantadores de serpentes, cozinheiros, os dias medievais acabam esta noite, com a festa final dos que os fizeram. Óbidos continuará todo o ano a ser uma Festa da História.
Publicado por Vivarte às 03:20 PM
junho 24, 2005
Belver, para abrir o apetite

Enquanto não chegam mais photos da IV Feira Medieval de Belver, esta é da casa...
Publicado por Vivarte às 12:46 PM
junho 23, 2005
Trancoso: Festa da História 2005

Trancoso, abre as portas do seu centro histórico a mais uma ”Festa
da História” nos próximos dias 25 e 26 de Junho. A recriação histórica que se pretende implica uma viagem ao passado. O burburinho dos mercados populares, os pregoes dos quinquilheiros e dos almocreves, os fingimentos dos bobos cruzando-se com as músicas dos trovadores por entre o burburinho da rija populaça debruçando-se nas bancas dos mesteirais, todo um ambiente da feira dos tempos de então, reproduzido por grupos profissionais, alunos e populares ao pormenor mais ínfimo nos trajes e maneiras de tendeiros e demais feirantes. Por entre os bosques densos, surge D. Isabel de Aragão que é esperada por El-Rei D. Dinis, e de todos os lados surgem músicos, trovadores e jograis. As moças arregaçam as saias e entram para a roda dançando e bailando até ao raiar da lua. Segréis e trovadores trazem os seus instrumentos e ouvem-se trovas à desgarrada enquanto na praça, homens e mulheres rodopiam em danças de rodas. E porque a ”fome aperta” e necessário é acalmar o estômago, encontram-se por todo o lado as “Tavernas” (da responsabilidade de Associações e colectividades locais) onde se poderá degustar um belo caldo “farta brutos”, carne de porco e chouriço assado na brasa acompanhado de broa e claro está um bom vinho tinto.
Programa
Sábado 25 de Junho
11:00h Cerimonial de abertura
11:30h Visita dos fiscais e meirinhos às diversas tendas
11:45h Pregões e episódios burlescos
12:00h Comeres e beberes nas tavernas da feira
15:00h Chegada de D. Isabel de Aragão e seu recebimento por El-
Rei D. Dinis
19:30h Ceia Medieval (necessária pré inscrição)
22:00h Assalto ao Castelo
23:00h Concerto música medieval (Castelo)
00:00h Julgado de heréticos (Praça D’ Dinis)
Domingo 26 de Junho
10:00h Abertura da Feira
12:00h Comeres e beberes nas tavernas da feira
14:30h Desfile evocativo das Bodas de D. Dinis com D. Isabel da
Aragão
15:30h Investidura de novos cavaleiros
Danças e folguedos
Torneio de armas
Bobos e saltimbancos
Venda de escravos e relíquias
18:30h Espectáculo de teatro de rua
21:00h Espectáculo de fogo e encerramento da feira
Publicado por Vivarte às 03:17 PM
junho 21, 2005
Um bom exemplo
Os nossos irmãos galegos vão percebendo no que dá brincar à recriação histórica. Esperando que outros entendam, leiam o El Correo Gallego. Em Noia já perceberam...
Publicado por Vivarte às 03:40 PM
Ceias medievais
Eventos históricos são nicho de mercado no turismo da região Oeste
Eventos como as ceias históricas promovidas pelo Hotel Real D’Óbidos ou a Feira Medieval estão a chamar cada vez mais turistas nacionais e estrangeiros para o Oeste.
Diz o Oeste Online, "portal-jornal da região Oeste." Nós já desconfiávamos...
Publicado por Vivarte às 03:35 PM
junho 12, 2005
Photógrafos / Feira Medieval de Belver
Joaquim Moreira já fotografou em Belver: Regresso ao passado... ou a cabeça do nosso ariete...
A IV Feira Medieval de Belver, concelho de Gavião, está aí, de 17 a 19 de Junho.
Programa:
Sexta
19 30 Abertura da Feira
20 00 O flagelo da Peste
24:00h Malabarismo de Fogo e Encerramento
Sábado
18:00 Reabertura da Feira
19:30h Animação e Ceia nas Tavernas
22:00 Torneio Medieval a Cavalo pelo Esquadrão de Cavalaria da GNR
24:00h Malabarismo de Fogo e Encerramento
18:00h Treino de Armas para Defesa do Castelo
19:00 Torneios apeados e escaramuças
21:00h Teatro de Rua (Julgamento de Heréticos e outras Malfeitorias)
24:00h Malabarismo de Fogo e Encerramento
Participantes (entre outros)
Vivarte
Centro Storico Regione Ligure
Espada Lusitana
Publicado por Vivarte às 02:20 PM
XIV Feira Medieval de Coimbra
12 de Junho 2005 / Nelson Morais /
Diário de Coimbra
Milhares de pessoas no Largo da Sé Velha
Feira Medieval cumpriu
Milhares de pessoas participaram na Feira Medieval de Coimbra, durante o dia de ontem. Segundo o delegado regional do Inatel, o certame voltou a destacar-se pelo respeito para com a história
Feira Medieval cumpriu
Milhares de pessoas participaram na Feira Medieval de Coimbra, durante o dia de ontem. Segundo o delegado regional do Inatel, o certame voltou a destacar-se pelo respeito para com a história
No início da Rua do Cabido, junto ao Largo da Sé Velha, um criado com uma fatiota em linho branco despeja um jarro de azeite na sopa de legumes com pedaços porco que ferve em dois panelões de ferro. A dois passos daqui, na sombra de uma tenda feita de madeira e panais, uma mulher apregoa: «Venham à sopa de Ceira!». Mas há mais: «Olhem a sardinha de escabeche e de pasta!». Desce-se ao largo e o cheiro de sardinha assada mistura-se com o de fêveras de porco preto, entremeada, chouriço ou coelho na grelha... O sol não facilita, quando as nuvens o deixam à vista, mas nem isso afasta a multidão dos fogareiros. É hora de almoço e, na Feira Medieval de Coimbra (FMC), come-se ao calor e com fumo, em pé ou sentado na calçada, sem cerimónias e à fartazana.
Mas João Fernandes permanece na feira desde as oito da manhã e, quando são três da tarde, ainda está sem almoço. É que o delegado regional do Inatel, fundador e organizador da FMC, sente-se impelido a cumprir uma missão que não lhe deixa grande tempo livre, ou fá-lo esquecer a fome. Vagarosamente, com o apoio de uma bengala, chapéu e gravata a preceito, corre o largo de Sé Velha vezes seguidas, qual fiscal do medievismo dos mais de 500 actores, de dezenas de grupos profissionais e amadores, que participavam ontem na 14ª FMC.
Este ano, segundo João Fernandes, há a registar poucas adulterações dos supostos hábitos e características das feiras da época fernandina, no século XIV: «Só topei uma ou duas coisas mal», avalia. Diz que, primeiro, «foi uma menina, muito bem vestida, que estava a beber água de uma garrafa». «Perguntei-lhe se estava a fazer propaganda à marca. Depois, foi uma artesã, a fumar. Estava ao fundo da tenda, mas cheirou-me. De fora, até lhe bati com a bengala no braço, e perguntei-lhe: ‘A menina, para o ano, não quer vir cá, pois não?’ Ficou muito aflita…», conta o responsável do Inatel, agora sentado ao fresco, na sala do secretariado do certame, em cuja organização também participam a Câmara de Coimbra e a Associação de Defesa da Alta de Coimbra.
«Intransigente», como o próprio reconhece, João Fernandes chamou ainda a atenção de uma mercadora que, ao esticar-se para atender um cliente, deixou à vista o relógio que tinha preso a meio do braço. Mas exalta a qualidade da 14ª edição da FMC, registando, nomeadamente, a evolução de quem aprendeu com os erros. Como a de um mercador que o delegado do Inatel já impedira de vender vassouras feitas em milho, de espécies para consumo humano, que só chegaram a Portugal após os Descobrimentos. Antes, porém, o país já tinha milho painço, mais miudinho, diz João Fernandes, notando que o tal mercador, este ano, já trazia vassouras de milho painço, que passou, inclusivamente, a cultivar.
«Com carácter histórico e regularidade, a Feira Medieval de Coimbra foi a primeira do país [ver caixa]», orgulha-se o delegado do Inatel, que promoveu, sexta-feira à noite, uma ceia medieval. De momento, «há aí umas 50 feiras em Portugal, mas vir a Coimbra é ficar com um certificado de qualidade», assevera.
João José Cardoso, responsável pela produção da companhia de teatro profissional Viv’Arte, confirma que «a feira de Coimbra é a mais rigorosa do país». E o professor destacado pelo Ministério da Educação para este grupo de teatro de Oliveira do Bairro, que se dedica apenas a recreações históricas, sabe do que fala. O Viv’Arte tem nem mais nem menos que 28 profissionais e corre praticamente todas as feiras medievais do país, a expensas, normalmente, das respectivas autarquias, conta Cardoso, no final de uma demonstração das artes de guerra medievais, com confrontos de soldados que atraíram centenas para a frente da porta principal da Sé Velha.
«Uns prometem e não fazem, mas o Inatel criou mesmo emprego», graceja João Fernandes, com o som de fundo dos grupos de gaiteiros, numa referência aos artistas e artesãos que encontraram trabalho à custa da multiplicação das feiras medievais.
A maioria dos actores da festa é, ainda assim, amadora. Como Maria do Carmo, funcionária de uma escola de Penacova, que estende a um jovem um molho de salva, supostamente capaz de operar milagres contra a tosse ou pela «suspensão da menstruação». A FMC não se resume, com efeito, aos petiscos. Além da enorme variedade de chás e ervas medicinais que ali se encontram, há peles, aves, calçado, jóias, cestos, utensílios em madeira, em ferro ou em barro, tapeçaria, etc.. E, pelos vistos, faz-se aqui bom negócio. «No ano passado, uns artesãos tiveram que tirar [das bancas] metade do que traziam [por se tratar produtos sem características medievais]. Agora, vieram cá dizer que venderam mais em Coimbra do que nas oito feiras em que andaram. A qualidade vale a pena», diz João Fernandes.
Semente da Capital do Teatro
Estava Coimbra Capital Nacional do Teatro (1992) em curso quando o seu comissário, Ricardo Pais, telefonou ao delegado regional de Coimbra do Inatel, a pedir-lhe ideias para uma verba que estava destinada ao teatro amador. João Fernandes, já então sensibilizado para a necessidade de animar o centro histórico de Coimbra, propôs que os grupos que participassem no ciclo de teatro de Primavera do Inatel fizessem a «recreação de textos históricos» na Sé Velha.
Participaram na 1.ª edição da Feira Medieval de Coimbra os grupos de teatro de Ceira, Condeixa, Arco (Covões), Seixo (Mira) e Taveiro (este deixou de participar no evento). Mas, antes disso, receberam formação de duas historiadoras da Universidade de Coimbra, Maria Helena da Cruz Coelho e Maria de José Azevedo, para se deixarem envolver pelo «espírito medieval, para saberem o que é que podiam vestir, calçar…», recorda João Fernandes, acrescentando: «Três anos depois, comecei a ver que isto tinha tomado uma amplitude tal, que não era coisa para se confinar ao Inatel».
Mas o Ministério da Cultura nunca deu apoio financeiro e «a Câmara de Coimbra estava com um pé dentro e outro fora». «Só esta câmara, desde há três anos, começou a dar algum apoio material», congratula-se João Fernandes. Que se sente compensado pelas «aflições» por que passa para pagar a grupos amadores e profissionais e pelo trabalho que lhe dá a organização da feira: «É das coisas que mais gozo me dá fazer, no Inatel», afirma.
Além do Inatel, são organizadores da Feira Medieval de Coimbra a Câmara Municipal e a Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta.
3 de Junho 2005 / Jornal de Notícias
Idade Média volta para a Sé Velha
Número de artesãos e grupos tem aumentado de ano para ano, apesar do rigor exigido
O casal alemão Göre, acompanhado por dois filhos bébes gémeos e dois jovens primos portugueses, era um entre centenas de visitantes que passaram pela 14ª edição da Feira Medieval de Coimbra que ontem se voltou a realizar no Largo da Sé Velha, depois de um ano de interrupção naquele local devido a obras.
De férias em Portugal, sempre que vêm procuram eventos do género. Já conheciam a feira de Penela que se realiza de dois em dois anos e da qual gostam muito. No caso desta dizem "valer o sacrifício de andar com dois pequenos bebés debaixo de um sol tórrido pelo ambiente recriado, costumes, hábitos, o cenário bem enquadrado, se bem que as casas que envolvem o Largo não lhe parecem muitos adequadas, mas estamos no século XXI e não é fácil encontrar cenários onde o enquadramento seja perfeito", referiram ao JN.
A escolha para a compra de produtos da "época" era muita e variada. Com o passar dos anos a organização da Feira - a cargo do Inatel - tem-se tornado cada vez mais selectiva. "Se queremos passar uma imagem fidedigna da história, não podemos deixar que este seja apenas um simples evento, há todo um trabalho prévio de validação histórico-cultural e em cada ano que passa vamo-nos tornando mais exigentes", salientou João Fernandes, do Inatel de Coimbra.
É o caso das associações culturais participantes e dos artesãos. "Muitos andam há anos para cá conseguirem entrar, mas dadas algumas características não nos era possível aceitá-los. Este ano, há seis novas tendas com pessoas que andam pelo menos há quatro anos a tentar participar, mas só agora conseguiram provar que poderiam participar", referiu.
Foi o caso da "rinaldeira" e da vendedora de regueifas, Irene Almeida e Lúcia, respectivamente, dois sucessos na feira, com mais de 200 unidades vendidas cada uma, pese embora os preços pouco medievais da regueifa (10 euros).
Publicado por Vivarte às 10:08 AM
junho 07, 2005
Photógrafos - Luis Garção Nunes
Luis Garção Nunes encontrou o Luís (do extinto grupo musical andaluz Cuerno de Cabra) e fez-lhe este retrato.
Publicado por Vivarte às 03:42 PM
junho 06, 2005
Photógrafos - JR Garcia
Encontrámo-nos em Lamego, na V Feira Medieval. JR Garcia gosta de Feiras Medievais e é um bom retratista. Não percam o seu portfólio sobre recriações medievais.
Publicado por Vivarte às 04:41 PM
Alfândega da Fé: uma Feira Medieval dentro de uma Feira da Cereja
Feira da Cereja e dos Produtos Locais 2005
Uma Feira, uma festa, um ponto de encontro com a história e tradições do concelho de Alfândega da Fé.
A edição deste ano da Feira da Cereja e dos Produtos Locais é tudo isto e muito mais.
No espaço da feira convivem harmoniosamente dois mundos: o contemporâneo e o medieval; venha descobri-los e conheça um certame de características únicas na região.
De 9 a 12 de Junho a Festa é em Alfândega da Fé.
Publicado por Vivarte às 12:02 PM
junho 05, 2005
Apresentou-se a Feira Medieval de Coimbra
É já no próximo sábado
02-06-2005 / Patrícia Cruz Almeida /As Beiras Online
FEIRA MEDIEVAL - A mais fiel recriação do país
Meio milhar de figurantes integram a 14.ª edição da Feira Medieval de Coimbra. A iniciativa está de regresso à Sé Velha, no próximo dia 11 de Junho.
Figuras, produtos, sons, cheiros e ambiente. Tudo garantidamente medieval na reconstrução perfeita a que já se habituou o público. A azáfama, os pregões e as cores que fizeram em tempos idos o encontro privilegiado de nobres, clérigos, camponeses e artesãos vão regressar ao Largo da Sé Velha, em mais uma reconstituição da Feira Medieval de Coimbra.
A iniciativa, que decorre no dia 11 de Junho, cabe mais uma vez ao Inatel e a Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta de Coimbra (ADDAC), apoiados pela Câmara Municipal de Coimbra, que recriam todo o ambiente medieval nos tempos modernos.
Na apresentação do evento, que teve lugar ontem, João Fernandes, delegado distrital do Inatel, revelou que este ano a feira vai contar com “24 tendas de mercadores, 10 tendas de artesãos, atenda dos fantoches, além dos mais de 30 grupos de teatro, música ou dos figurantes”. O número “oficial” de participantes é de 498, mas o responsável acredita que esse número ultrapasse o meio milhar “porque há sempre muitos participantes individuais”.
Para João Fernandes, ao fim de 14 edições, “a feira medieval continua a ser uma feira de referência não só no país, mas também na Europa”.
Uma ideia partilhada pelo produtor e consultor científico da Companhia de Teatro Viv’Arte, membro da comissão instaladora da Associação Portuguesa de Profissionais da Recriação Histórica. Segundo João José Cardoso, a feira medieval da cidade é a recriação histórica mais rigorosa do país. “Além deste pergaminho, o seu modelo de organização - assente na participação activa e preparada das colectividades da região - e rigor histórico (que desde o início que teve a supervisão de historiadores profissionais) é inigualável”, tendo sido no modelo de Coimbra que a Viv’Arte se inspirou para produzir outras recriações. “A escola de Coimbra tem sido um pouco a razão do nosso sucesso”, sustentou.
O vereador da Cultura, Mário Nunes, salientou que a feira medieval de Coimbra engloba as vertentes económica, religiosa, cultural, social e político, e é por isso que “a nível nacional ela é um exemplo”.
À semelhança de anos anteriores, a feira tem início na sexta–feira, dia 10, com a conferência “Inês de Castro, o Corpo Transfigurado”, a decorrer no salão paroquial da Sé Velha, proferida pelo historiador Paulino Mota Tavares. Segue–se, às 20H30, um concerto de coros e orquestra, comemorativo do 70.º aniversário do Inatel. Como manda a tradição, realiza–se uma ceia medieval nos claustros da Sé Velha, com animação pelos grupos “Galandum Galandaina”, Viv’ Arte e Saltimbancos de Ceira. As inscrições (30 euros por pessoa) podem ser feitas na Casa Municipal da Cultura ou na delegação do Inatel.
De referir ainda que, durante todo o dia de sábado, o “Pantufinhas” vai funcionar normalmente, de modo a que todos possam ter acesso á feira. A organização estima que, pelo menos 35 mil pessoas passem pelo Largo da Sé Velha, para tomarem contacto com os aromas, sabores, ruídos, actividades e modo de vestir da época medieval.
Pedir... em nome da solidariedade
Figura central da Feira Medieval de Coimbra, Joaquim Basílio, o actor que dá vida à personagem do mendigo vai este ano pedir para a Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro e para a Associação Portuguesa de Apoio de Crianças com Problemas Cardíacos (APACPC). Numa caracterização que impressiona pelo realismo epocal, o pedinte volta a circular, durante toda a feira, por entre as gentes, pedindo por uma causa nobre. Gesto que Joaquim Basílio repete anualmente, contribuindo, assim, para ajudar algumas das instituições que, em Coimbra, cuidam e protegem as crianças mais desfavorecidas.
3 de Junho 2005 / Carlo Santos /
Diário de Coimbra
"Feira espera 35 mil visitantes
São esperados 35 mil visitantes na Feira Medieval de Coimbra, uma das mais fiéis aproximações que se fazem no país. No próximo dia 11, quem passar pelo Largo da Sé Velha vai poder recuar vários séculos no tempo e conviver com gentes, animais e mercadorias
Tudo é pensado ao mais ínfimo pormenor. Ao ponto de nem todos os grupos que desejam participar serem admitidos na mais importante feira medieval do país. É, pelo menos, assim que os promotores da iniciativa a concebem. A Feira Medieval de Coimbra regressa, de amanhã a uma semana (dia 11), ao Largo da Sé Velha. E promete, na sua 14.ª reposição, ser palco de uma das melhores aproximações ao ambiente daqueles mercados de trocas comerciais do século XIV, que não esquece o cunho político, social e religioso da época.
A assegurar a animação estarão mais de 30 grupos de teatro, devidamente trajados, parte deles com as suas tendas (24 barracas de mercadores, 10 de artesãos e uma de fantoches), totalizando cerca de 500 participantes. Aves, azeite, cereais, enchidos, frutos secos, mel, peixe fresco e seco, peles, barro e jóias são exemplos dos produtos que ali serão comercializados.
Não vão faltar a música, as artes de circo, os duelos de espada, os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, o malabarismo de fogo ou as demonstrações de aves de rapina. Nem mesmo os saltimbancos, as feiticeiras e o conhecido mendigo “Basilius”. Aguarda-se uma feira movimentada e ruidosa, com muitos aromas no ar (das febras e sardinhas, servidas em folhas de couve ou em pão de centeio). Tudo para tornar este recuo ao passado o mais fiel possível.
A abrir a feira, após a missa (às 9h15) com canto gregoriano (pelo Grupo Coral de Santa Cruz), será lida a Carta da Feira, acompanhada pelo toque de trombetas. Nos dias que a antecedem, a feira é anunciada na cidade por pregoeiros.
Antes, dia 10, haverá a habitual ceia medieval (a partir das 21h45, nos claustros da Sé Velha), com animação pelos grupos Galandum Galandaina, Viv’Arte e Saltimbancos de Ceira. O custo é de 30 euros, mediante inscrição, na Casa Municipal da Cultura ou no Inatel. Ainda na sexta-feira, Paulino Mota Tavares profere, às 20h00, no salão paroquial da Sé Velha, a conferência “Inês de Castro, o corpo transfigurado”. Meia hora depois, embora fora do programa da feira, segue-se, no âmbito da comemoração dos 70 anos do Inatel, um concerto de Coros e Orquestra.
De acordo com João Fernandes, delegado regional do Inatel, que, ontem, com os restantes organizadores (Câmara Municipal de Coimbra e ADDAC - Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta de Coimbra), apresentou o programa da feira medieval, são esperadas cerca de 30 a 35 mil pessoas – no ano passado, na Praça Velha, calcula que terão passado pela feira 50 mil.
«Em Coimbra não se tem a noção», mas a feira medieval que se realiza na cidade é das mais procuradas por quem participa neste tipo de eventos. Quem o diz é João Cardoso, profissional do grupo Viv’Arte, que desde há quatro anos faz toda a sorte de recriações históricas.
«Qualquer artesão profissional de recriação histórica esforça-se por vir a Coimbra. Vir a Coimbra é o canudo», afirma João Cardoso, para quem esta é a prova de «como os recriadores históricos obedecem ao rigor que em mais lado nenhum é exigido».
E nem por isso «esta feira não é das mais caras que se fazem no país», observa João Fernandes. Cerca de 30 mil euros (seis mil contos na moeda antiga) é o orçamento necessário.
Para facilitar o acesso à feira, sobretudo às pessoas com menor mobilidade, a autarquia vai assegurar a circulação dos mini-autocarros (os Pantufinhas) durante todo o dia. Também a CP oferece o regresso a casa aos utentes que se deslocaram à feira. Para tanto, bastará que apresentem o bilhete na secretaria da Feira Medieval, para receber o carimbo do Inatel.
Esmolas “solidárias” do mendigo
Este ano, o dinheiro das esmolas recolhidas pelo já famoso mendigo medieval Basilius (o conhecido actor Joaquim Basílio) vai reverter a favor de duas instituições: a Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro e a Associação de Protecção e Apoio a Crianças com Problemas Cardíacos. Segundo o próprio anunciou, a verba que reunir, não apenas na feira de Coimbra, mas em todas aquelas em que se caracterizar de mendigo, será entregue para apoiar o projecto de construção da casa que, em Coimbra, vai albergar os pais de crianças em tratamento oncológico, e para auxiliar os mais novos, que, como sucedeu com ele, padecem do coração."
Publicado por Vivarte às 03:46 PM
I Feira Medieval de Torres Novas
4 de Junho


Cite-se o jornal Torrejano
Companhia de Teatro recriou Feira Medieval
Castelo de Torres Novas ganhou vida
Comer uma sardinha assada na taberna, comprar uma espada a um dos artesãos que ali montaram a sua banca, ouvir música ao som da gaita-de-foles, ou rir com os bobos que ali se passeavam foram algumas das coisas que quem se deslocou ao castelo de Torres Novas no sábado, dia 4 de Junho, pôde reviver.
Vestidos como exigia a moda da época medieval, dezoito actores profissionais da companhia de teatro "Viv’Arte", acompanhados por membros do Centro de Bem Estar Social da Zona Alta, recriaram a época em questão, aproveitando o castelo como elemento fundamental do cenário.
Além do cenário montado durante todo o dia, que incluía duas tavernas, cerca de dez bancas de artesãos, instrumentos de tortura, entre outros, foi ainda recriado um torneio de armas, uma venda de escravos, bem como uma série de rábulas teatrais.
Este evento foi uma organização da companhia de teatro "Viv’Arte" de Oliveira do Bairro, especializada em recriações históricas, não só da época medieval, como de outras épocas, embora esta seja a que tem mais procura por parte das autarquias e outras entidades que contratam os seus serviços.
Mas, este formato de representações teatrais, em que os espaços públicos se tornam palcos, não é, para João Cardoso, produtor da companhia, um acaso: "A nossa grande preocupação é levar o teatro às pessoas que nunca foram ao teatro e este é o espaço perfeito: tem uma componente lúdica, porque é uma festa, comercial porque os mercadores são parte integrante do nosso espectáculo e uma vertente patrimonial porque devolve o património às pessoas".
A feira medieval é já um espectáculo montado, que se "vende" como um todo, mas onde não existe um texto definido, uma vez que um dos principais objectivos é incluir o público na peça, como continuou o produtor.
A maior parte dos artesãos e mercadores ali presentes acompanha a companhia pelas feiras realizadas em todo o país, sendo que, aqui em Torres Novas, também quatro mercadores locais, contactados pelo Centro de Bem Estar, aderiram à iniciativa e montaram a sua banca no castelo.
Há cerca de quatro anos que a "Viv’Arte" produz feiras medievais, sendo a única companhia do país a fazê-lo, de acordo com palavras de João Cardoso.
A vinda desta companhia a Torres Novas foi uma iniciativa da Câmara Municipal de Torres Novas. Uma edição de experiência que João Cardoso espera que venha a ser incluída no calendário anual de eventos de ambas as entidades.
O castelo, espaço de eleição para a realização desta feira, foi descrito pelo produtor como perfeito para os objectivos a que se propunham, já que se encontra muito bem arranjado e as sombras ajudaram, num dia em que o Sol se mostrou forte. A única queixa do produtor dirigiu-se à divulgação feita na cidade, que dava as dezoito horas como a hora de fecho da feira, quando esta ficou a prolongar-se pela noite dentro. Um facto que afastou as pessoas do castelo, uma vez que não sabiam que este estaria ainda de portas abertas.
Inês Vidal
Publicado por Vivarte às 03:38 PM
1305 - 2005 Castelo de Arraiolos - 700 Anos
3 a 5 de Junho
Publicado por Vivarte às 03:33 PM