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outubro 23, 2005
III Feira do Porco e do Enchido de Meruge
Vamos estar em Meruge, freguesia do concelho de Oliveira do Hospital, naquilo que não sendo uma recriação histórica é uma excelente Festa cheia de História, onde temos terminado a nossa temporada de actuações de rua, e que por isso mesmo é uma festa também nossa e dos nossos amigos. Como se pode ler neste comunicado à imprensa da Junta de Freguesia:
Pelo terceiro ano consecutivo, a Junta de Freguesia de Meruge e a Associação Desenvolvimento Social e Cultural do Vale do Cobral (ADSCVC), com o apoio da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, vão realizar a Feira do Porco e do Enchido, iniciativa pioneira na região das beiras, destinada a valorizar e divulgar a arte e excelência dos enchidos tradicionais (Chouriça de Carne, Chouriça de “Bofes”, Morcela de Sangue e Farinheira), produzidos na Freguesia de Meruge e no Concelho de Oliveira do Hospital.
Concebida como uma das componentes de um plano integrado de recuperação do “saber fazer tradicional” dos enchidos pelas velhas gerações de “porqueiros”, a Feira do Porco e do Enchido culminou o funcionamento da “Escola Oficina de Fumeiro Tradicional” e a entrada em actividade da “Empresa de Inserção Social” que lhe deu continuidade no fabrico local de genuínos e qualificados enchidos artesanais.
O êxito retumbante das duas edições anteriores, colocam agora à organização o desafio de crescer sem adulterar a matriz deste evento, também concebido para homenagear os comerciantes que ganharam para Meruge o apelido de “terra dos porqueiros”. Eles que em todas as feiras de levante da Beira Alta, Beira Baixa e Beira Litoral, vendiam simultaneamente a carne (fresca e salgada) e o “gado vivo”, trazendo prosperidade e desenvolvimento económico e social à nossa Freguesia.
Nessa medida, esta “3ª Feira do Porco e do Enchido”, para além do elevado número de produtores de enchidos tradicionais e de vendedores de carne, da Feira/Mostra do “Gado Vivo” (com a recriação do “negócio”), da Feira da Agricultura Familiar e do Mundo Rural, da Mostra Nacional de Artesanato (com trabalhos “ao vivo”), vai ter este ano como novidade o 1º Concurso de Doçaria Tradicional, nas modalidades de Bolos, Sobremesas e Compotas, que vai trazer à luz do dia velhas e saborosas receitas, que os visitantes poderão apreciar e degustar no decorrer do certame.
Ainda no campo gastronómico, as Tabernas espalhadas pelo recinto servirão Porco Assado no Espeto, Arroz de Suã, Torresmos “à Moda de Meruge” com Batata à Racha, Feijoada “à Moda de Nogueirinha”. Os visitantes poderão ainda adquirir a carne e utilizar as fogueiras para confeccionarem os seus próprios Torresmos nas caçoilas de barro, ou assarem as Fêveras “à Moda da Feira”.
No “Forno Comunitário”, marcam presença distintiva a recriação do coser do pão e dos pregões tradicionais (“Óh Freguesa, tender!”) saindo quentinhas em permanência: Broas, Bolas de Carne, de Bacalhau e de Sardinha.
Uma forte componente cultural e lúdica constitui também a “imagem de marca” desta grande iniciativa de promoção do mundo rural vivo. Assim, toda a Feira, que decorre no belíssimo espaço natural da Lage Grande e do Terreiro do Santo, está decorada com barracas, tendas e motivos medievais, sendo contagiante a animação permanente em todo o recinto de jograis, bobos, malabaristas, pedintes, alcoviteiras, pregoeiros, bombos, gaiteiros, tocadores de concertina e cantadores ao desafio. De Itália vem a animação musical dos “Barbarien Pipe Band”. O VIV’ARTE fará a “Recriação de uma Revolta Popular Camponesa no séc. XIV, mui Inspirada em Cousas do séc. XXI” e o “Juízo de Novas Malfeitorias e Velhas Heresias”.
Pela manhã haverá a famosa “Corrida de Leitões” e à tarde a não menos prometedora “Corrida de Burros”. A Feira encerrará com um Magusto Tradicional na Lage Grande.
Como se vê, razões não faltam para demandar Meruge, no próximo dia 13 de Novembro, com a garantia de um dia rico de aventuras, pleno de diversão e de sabores.
Publicado por Vivarte às 01:16 PM
outubro 21, 2005
Mentir mais vezes não passa a verdade...
Atribuí-se a Joseph Goebbels a ideia de que uma mentira dita 100 vezes conta como verdade. O princípio é muito mais antigo, pelo menos tão velho como o da lógica interna das seitas, onde se instaura como verdade qualquer mentira para consumo interno. É uma necessidade básica deste tipo de organizações, que dependem da fidelidade dos seus membros a um culto, mais que não seja, ao culto de si próprios.
É neste contexto que encaixa a obsessão da OCSP em se afirmar como a primeira, a única, a maior, aspecto em que efectivamente se aproxima, em termos de história das mentalidades, às ordens militares medievais, responsáveis por alguns dos piores genocídios, para utilizar uma expressão contemporânea, da história da humanidade.
Isto a propósito da última atoarda, que passamos a citar:
Nesta terceira edição do Festival a Câmara Municipal de Lagos verá, pela primeira vez em Portugal, um programa de recriação histórica que preencherá por completo o horário de visita de um monumento histórico.
O programa inclui a reconstituição, num dos apartamentos do Forte, dos aposentos do capitão-da-guarda, para além de patrulhas pela cidade, um posto de sentinela, o render da guarda, mostras-de-armas, treinos de combate e de tiro, e culminará com o disparo de uma peça de artilharia medieval, a única réplica deste tipo no nosso país.”
Como se pode ver pela foto abaixo, e que está na página da Câmara Municipal de Lagos, réplicas de peças de artilharia medieval, e posteriores, mais adequadas a um forte e a um Festival que de medieval nada têm, disparamo-las em Portugal vai para dois anos. Nada de especial, tanto mais que se trata das coisas mais simples de fazer, desde que se disponha de conhecimentos de história e de pirotecnia (e neste aspecto, de pessoal habilitado e credenciado, como é exigidas por lei).
Ficamos a saber que os fortes têm apartamentos (T-1, T-4?), e que se vai pela primeira vez fazer em Lagos o que fazíamos em Sagres vai para 4 e 5 anos...
Publicado por Vivarte às 07:13 PM
outubro 17, 2005
III Festival dos Descobrimentos de Lagos - Dias 28 a 30 Outubro

Mostrar o que se fazia, o que se pensava, e como se vestiam, alimentavam e divertiam os nossos antepassados nos séculos XV e XVI, em pleno período áureo dos Descobrimentos, é o desafio a que a Câmara de Lagos, a Comissão Municipal dos Descobrimentos e a Comissão Municipal do Turismo, se lançam pelo terceiro ano consecutivo, procurando assinalar de uma forma pedagógica e diferente as comemorações do Dia do Município.

Feira Quinhentista
Espaço privilegiado de ambiente quinhentista, a Feira constitui um dos expoentes mais marcantes do Festival. Para além da animação, os visitantes poderão contar com a presença de várias tendas de artesãos e doceiras, entidades, associações e clubes e Câmaras Municipais convidadas. Será possível apreciar e adquirir livros, artesanato diverso, compotas, doçaria, instrumentos musicais, licores e medronho, entre várias outras coisas.
Locais: Ruas do Centro Histórico de Lagos (Praça Gil Eanes, Praça Infante D. Henrique, Rua Garrett, Praça Luís de Camões, Rua Portas de Portugal, etc.)
Desfiles Históricos - Participação das Escolas Município de Lagos; Associações e cidadãos de Lagos. Este ano, para além das muitas participações, tanto da comunidade escolar, movimento associativo, entidades e instituições locais e regionais, estarão presentes representações dos municípios de Baiona La Real, Palos de La Frontera e Santa Fé (Espanha) e do município do Cabo Bojador (Marrocos). Em 2004, o primeiro desfile histórico contou com mais de 1700 figurantes. Em 2005, pretendemos alcançar os 2000 figurantes.
Publicado por Vivarte às 04:39 PM
outubro 07, 2005
Mentir é feio...
Temos feito um esforço razoável de paciência para evitar responder aqui ao que nos chamam ali.
Mas mesmo a contenção se esgota. Expliquemo-nos. Existe em Portugal uma organização denominada Ordem de Cavalaria do Sagrado Portugal (OCSP), que se dedica à recriação militar, e com quem em tempos idos até trabalhavamos. Não será fácil voltar a fazê-lo quando o seu mentor assim a caracteriza:
Mas paciência. Como diz o Sr. Araújo, mestre em universidade própria, só lá está quem quer. Não sabemos o que têm as autoridades a dizer da existência de uma cooperativa cultural que afinal é uma organização militar, mas se calhar deviam pensar no assunto (embora pelo nosso conhecimento directo seja mais um caso de saúde pública do que de polícia).
O que já não é tolerável é o facto de no seu fórum se repetirem ataques, insultos e outras baixezas ao trabalho que vamos fazendo em prol da recriação histórica portuguesa. Ataques que depois se dizem serem apenas da responsabilidade individual de quem os assina e não da instituição que os mantém publicados. Deixando de lado esses eufemismos (fica para outra), a própria página oficial da OCSP relata agora que são os autores da “Feira Árabe de Sintra, considerada a primeira Feira do Al-Ândalus em Portugal”, ocorrida o mês passado.
É mentira. Basta ler a Gazeta das Caldas, numa reportagem de 2003, referente ao Mercado Árabe de Óbidos que decorreu de 20 a 24 de Agosto desse ano:
A organização pretendeu que esta feira se situasse no tempo um pouco antes da tomada de Lisboa por D. Afonso Henriques, em 1147 por forma a ser uma “homenagem a uma civilização e uma cultura que aqui permaneceu durante muitos séculos e deixou a sua herança, que faz parte da nossa identidade”, destacou Telmo Faria, presidente da Câmara de Óbidos.
O edil, que desta vez não se trajou a rigor, disse que este mercado tinha como objectivo um contacto directo com as expressões e os acontecimentos mais marcantes da cultura árabe. Desta forma, além de 30 pontos de venda de artesanato e outros produtos, houve ainda três tendas onde pôde ser apreciada a gastronomia moura.
A animação foi permanente com bailarinas, actores e animadores de rua vindos de Marrocos, Argélia, Egipto e Espanha, trazidos pela Companhia de Teatro Vivarte. O suporte histórico desta iniciativa e o seu acompanhamento científico estiveram a cargo do investigador Mohammed Nair, da Universidade de Coimbra.
Apesar do evento “ter superado as expectativas”, Telmo Faria não adiantou novidades para o do próximo ano. A organização realiza inquéritos aos visitantes, a partir dos quais se farão possíveis correcções para que nas edições futuras possa haver mais qualidade.
Telmo Faria deixou garantiu que haverá todos os anos novos eventos e que o “mercado do ano que vem não será igual ao deste ano porque as pessoas obrigam-nos a inovar”. Por isso, em 2004 a vila medieval poderá ser transformada num mercado em que as culturas árabe, judaica e cristã convivam em simultâneo. Um pequeno contributo para combater os fundamentalismos que hoje grassam no mundo.
Fátima Ferreira
Ainda é mais mentira se atentarmos na própria página da Câmara Municipal de Sintra, que refere o I Mercado Mouro de Sintra que aí produzimos em 2004:
Mercado e ceia moura animaram Centro Histórico
Com o objectivo de divulgar a cultura Al Andaluz e recuperar a prática de convivência entre as grandes religiões monoteístas, a Câmara de Sintra realizou a 9 e 10 de Junho um mercado e uma ceia moura
No mercado mouro, que decorreu no Largo do Palácio da Vila nos dias 9 e 10 de Junho, das 10H00 às 24H00, o público pôde apreciar uma decoração e um ambiente de acordo com o usos e costumes árabes.
Os artesãos, com as respectivas indumentárias, representaram o fazer dos seus ofícios e o comércio dos seus produtos, num mercado que se caracterizou pelas tendas de lã de camelo, colocadas lado a lado, e onde os homens de “djelabas”, “caftans” e “medjibouds” emprestaram todo o exotismo do mundo árabe.
As “chalciras” em latão, os tabuleiros, o chá de menta, os lenços, as jóias e os tapetes coloridos fizeram parte de todo este cenário, sem esquecer as essências, os perfumes de jasmim, sândalo, musgo e âmbar. Tudo isto ao som de instrumentos, em ritmos hipnóticos, embalados pela “darbouka” e pelo alaúde.
Foi uma interessante viagem a um passado que também pertenceu a Sintra. Isto porque uma parte da memória portuguesa, e também Sintrã, ainda é povoada por mouros, por encantamentos, topónimos e gastronomias que fazem parte do nosso quotidiano.
Toda esta ambiência culminou numa ceia moura realizada a 10 de Junho no Castelo dos Mouros, onde foram servidas iguarias daquela época e onde os participantes envergaram vestes tradicionais árabes.
Chega?
Publicado por Vivarte às 04:04 PM
outubro 04, 2005
À Reconquista do Concelho: Feira Medieval de Canas de Senhorim
Realizou-se no último fim-de-semana mais uma feira medieval que tem a particularidade de recriar o estatuto de concelho que Canas de Senhorim já teve, e os canenses almejam. Fotos disponíveis...
Publicado por Vivarte às 05:53 PM