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junho 12, 2006
A feira onde até se aprende história
Mais de 500 actores e figurantes deram um “cheirinho” dos tempos medievais às milhares de pessoas que ontem passaram pelo Largo da Sé Velha. Bem-vindos a uma feira com históriaSe José Hermano Saraiva fosse convidado a apresentar a Feira Medival de Coimbra, faria, mais coisa, menos coisa, o seguinte comentário: «Foi aqui meus amigos, em plena Sé Velha, que se fez e ainda faz uma das mais perfeitas recriações dos tempos medievais». Organizada pelo INATEL, Câmara Municipal de Coimbra e Associação para o Desenvolvimento da Alta de Coimbra, a feira é, por direito próprio, um dos eventos histórico-culturais mais emblemáticos da cidade. Ainda que, como tenha sublinhado a organização, o espaço impeça uma iniciativa de maior envergadura.
A edição deste ano, à semelhante das anteriores, reuniu um elenco considerável: mais de 500 actores e figurantes, de 14 grupos de teatro amador, quatro escolas secundárias e seis grupos profissionais. As personagens mais emblemáticas do nosso imaginário estavam lá todas. O bobo, o mendigo (o já famoso Basilius, que este ano decidiu doar as esmolas recolhidas à Casa dos Pobres), os membros da nobreza e do clero, os malabaristas e os comerciantes. Nem as feiticeiras, portuguesas mas com um sotaque espanhol irrepreensível, se negaram a oferecer a quem passava o “feitiço do amor”, a cura para todos os males da impotência.
O negócio está mau?
Ninguém viu por lá anunciar-se a oferta de uma chouriça na compra de outra. Não havia, sequer, cartão-cliente ou terminais multibanco. O aspecto de alguns vendedores era, até, algo “suspeito”, pelas roupas estranhas que vestiam e pelo modo como falavam. Ainda assim, o negócio parece ter corrido de feição, sobretudo na vertente gastronómica. Talvez pelo facto de ser hora de almoço, centenas e centenas de pessoas abeiraram-se das inúmeras barracas de “comes e bebes”. «Olha a rica sopa, tem tudo e mais alguma coisa!», gritava a pleno pulmões o dono de uma tasca. Mas o que teve mais saída foi, sem dúvida, a sardinha assada e a bifana que ganhavam outra cor junto ao carvão.
Antes do estômago se queixar, muitos satisfizeram a curiosidade de visitar a “Tenda do Barveiro”, o “Tabelião das Notas” ou o “Ourives”. Outros não resistiram a comprar os cestos e as peças em barro cuidadosamente expostas junto às barracas. Isto do negócio estar bem é mesmo coisa do passado.
Publicado por Vivarte às junho 12, 2006 11:59 PM