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novembro 13, 2006

Meruge: Um final de temporada de rua em grande

A terminar a nossa temporada de Festas da História, finalmente o Verão de S. Martinho permitiu que o público acorresse a Meruge. Nada melhor para rematar 104 dias de actuação de rua, a uma média de 2 espectáculos diários, que fazem o ano de 2006 bater todos os nossos recordes em actuações e espectadores, assunto de que falaremos, ao pormenor, em breve. E somos uma Companhia de Teatro subsídioindependente...

 

Jornal de Notícias:

Em Meruge o porco é um rei

nuno alegria
Animação e recriação medieval estiveram a cargo do grupo Viv'Arte



Joaquim Almeida

Conhecida como "Terra dos Porqueiros", a freguesia de Meruge, no concelho de Oliveira do Hospital, acolheu, ontem, a 4ª edição da Feira do Porco e do Enchido, um certame que já ultrapassou as suas fronteiras e tem projectado o nome da aldeia. De ano para ano, a feira tem crescido e assume-se agora como uma autêntica mostra em que não faltam o artesanato, gastronomia e doçaria tradicionais, envolvidas por uma constante animação medieval.

"A ideia de criar a feira tem a ver com a tradição desta terra, onde o comércio dos porcos e seus derivados eram a actividade principal", explicou, ao JN, o presidente da Junta, João Abreu. Nas décadas de 70 e 80 "havia mais de 60 comerciantes que viviam só deste negócio", recordou, adiantando que esta feira "pretende revitalizar a tradição e potenciar a economia local , através do comércio de porcos e enchidos".

Outro objectivo do certame é "promover a terra do ponto de vista turístico e, nesse aspecto, as feiras têm sido bem sucedidas", afirmou João Abreu, concluindo que "Meruge já conseguiu sair do esquecimento".

"Há poucas terras a fazer isto", lamentou Maria da Anunciação, produtora e comerciante de enchidos. Ontem, o que mais vendeu foram farinheiras e morcelas, a cinco euros o quilo. "Vale sempre a pena vir cá", salientou. Fernanda Martins, também produtora, considerou a feira como uma "óptima iniciativa". "Vem muita gente, divulga-se e vende-se o nosso produto", afiançou.

A animação constante é outro prato forte deste certame. Com um figurino de feira medieval, a cargo do grupo Viv'Arte, foram recriados jogos tradicionais, lendas e torneios, com destaque para a hilariante "Corrida de Leitões" e "Passeios de Burros", acompanhados de música, saltimbancos e cuspidores de fogo.

 


Diário As Beiras

12-11-2006

Paulo Leitão

Meruge aprovou enchidos

As ruas da aldeia ficaram repletas de veículos tornando-se quase numa espécie de IC 19 em hora de ponta.

A Lage Grande – uma formação rochosa granítica única na região – foi pequena para acolher tantos visitantes.

As ruas da aldeia ficaram repletas de veículos tornando-se quase numa espécie de IC 19 em hora de ponta.

João Abreu, o presidente da Junta de Freguesia e organizador do evento, acabou por ter que ajudar na orientação do intenso tráfego enquanto não chegava a GNR para impor alguma ordem na confusão geral de estacionamentos.

No alto da Lage Grande o grupo VIV’ARTE ajudava à festa recriando o ambiente de uma feira medieval. Trupes de saltimbancos, de trapezistas, de cuspidores de fogo, de jograis e até bailarinhas da dança do ventre misturavam-se entre os vendedores de enchidos, queijo, cestos, doces, etc. Este ano o grupo de comediantes/músicos italianos “La Corte di Lunas” veio dar um toque internacional ao evento.

Um sem número de cores, sons e cheiros pairavam pelo ar. Um porco no espeto ia sendo assado, enquanto um pouco mais à frente uma “mãe” porca proporcionava o almoço a meia dúzia de leitões. Mesmo ao lado um grupo de animados cantadores troca desafios sonoros perante uma turista holandesa espantada.

“O negócio está bom, quero ver se vendo tudo até ao final do dia”, dizia uma das muitas vendedoras de chouriças de carne, chouriças de bofes, salpicões, farinheiras, presuntos salgados ou das inigualáveis morcelas de sangue.

Durante todo o dia houve muitos momentos únicos como: a corrida de leitões, a recreação da lenda da Mata Damoira, os torneios e os passeios de burro.

No campo gastronómico, às dezenas de produtores/vendedores dos excelentes enchidos, juntaram-se os pratos de “Arroz de Suã”, “Torresmos à Moda de Meruge”, “Porco no Espeto”, “Feijoada à Moda de Nogueirinha”, servidos nas “Tabernas” da feira.

No Forno Comunitário as “forneiras” não tiveram mãos a medir para as broas de milho, as bolas de carne, de bacalhau e de sardinha, a sair em permanência. Os mais gulosos puderam participação no 2º Concurso de Doçaria Tradicional.

Muitos aproveitaram a Feira da Agricultura Familiar para comprar directamente aos agricultores presentes na feira as castanhas, nozes, figos secos, romãs, ou mesmo os requeijões e queijos de ovelha.

Esta 4.º Feira do Porco e do Enchido foi a mais visitada de sempre, segundo os organizadores, que para o próximo ano prometem continuar a apostar no certame.

Também o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, Mário Alves, que apoiou o evento, já disse ao DIÁRIO AS BEIRAS que em 2007 a autarquia irá fazer uma grande promoção deste certame e da Festa da Castanha que decorreu na semana passada na freguesia de Aldeia das Dez.

 

Diário de Coimbra: 

Segunda-feira, 13 de Novembro 2006

Margarida Prata

Meruge foi capital do Porco e do Enchido

Milhares de visitantes entupiram ontem por completo os principais acessos a Meruge, naquela que foi a edição mais concorrida de sempre da Feira do Porco e do Enchido

Com o São Pedro a ajudar o “terreiro do santo” e a magestosa Lage Grande cobriram-se literalmente de gente, que veio para provar as iguarias, mas também sentir o ambiente medieval que estava montado na feira.

Foram milhares os forasteiros que acorreram ontem à freguesia de Meruge (Oliveira do Hospital) para mais um “regresso ao passado”, confirmando o interesse que esta mostra está a despertar cada vez mais na região e até no país. As tasquinhas com os afamados torresmos e outros pratos à base de carne de porco, como o arroz de suã, a feijoada à moda de Nogueirinha, ou o porco no espeto foram algumas das propostas gastronómicas à disposição dos visitantes, que puderam ainda provar os famosos enchidos da freguesia.

A organização estima que possam ter passado por Meruge, só no dia de ontem, cerca de 10 mil pessoas. «Foi um sucesso e só confirma que a Feira do Porco e do Enchido é um cartaz turístico em toda a região das Beiras», considera João Abreu, presidente da Junta de Freguesia local.

A afluência foi de tal forma que a certa altura o trânsito ficou bloqueado nas principais vias de acesso. Uma situação que a organização ponderou, embora não com esta dimensão. Joaquim Garcia lembra que apesar de «estarmos à espera de muita gente, não prevíamos esta enchente», o que «nos leva a pensar que para o ano temos que ter mais algumas alternativas de estacionamento». Este elemento da organização pensa que a solução pode passar por pedirem «emprestados» alguns terrenos contíguos à estrada para estacionamento para a feira. De qualquer modo, realça, «o balanço extremamente positivo» até mesmo da parte dos comerciantes e expositores – ao todo cerca de 70 – que, segundo a organização, «ficaram bastante satisfeitos».


Alargar a feira às ruas adjacentes

Diz o ditado que à terceira é de vez, e em Meruge foi preciso esperar pela quarta edição para a feira superar todas as expectativas. João Abreu sabia as potencialidades do evento e que era apenas uma questão de esperar por um dia de sol, sem vento nem frio, para «isto ser um êxito», já que o certame se realiza a céu aberto com um cenário natural privilegiado – em torno da Laje Grande. Apesar de muitos serem unânimes em dizer que este espaço foi pequeno para acolher tantos visitantes, João Abreu garante que a feira «nunca vai sair daqui». No próximo ano o que pode acontecer é «começarmos a utilizar as ruas adjacentes, criando ali também alguma animação».

Alternativas de quem já só pensa na 5.ª edição e de que esta é uma festa a registar no calendário do ano que vem. João Abreu não esconde que isto tudo obriga a um esforço financeiro considerável da parte da Junta de Freguesia, que neste evento contou apenas com o apoio da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

A animação constante, emprestada por grupo Vivarte, fez com todos regressassem de Meruge com a sensação de lá querer voltar.
 

 

Publicado por Vivarte às novembro 13, 2006 05:44 PM